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Automatizar testes é igual a tocar violão

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Fiz minha terceira aula de violão esta semana.
E não pude deixar de perceber algumas semelhanças entre esta atividade e automação de testes e quero compartilhá-las com vocês neste post.

Listei as quatro principais, veja:

 

1) Não entendo nada!

São acordes, cifras, sustenido, bemol e mais uma infinidade de coisas pra decorar ao mesmo tempo que acabo me sentindo perdido com tanta informação.
Então me lembro que quando comecei a programar acontecia a mesma coisa. O primeiro livro de Java que li não entendi nada até a 50° página. Mil coisas para decorar ao mesmo tempo. Mesmo assim continuei lendo. Para piorar eu não sabia inglês, logo eu tinha que ler dois livros: “Java – Como Programar” do Deitel e o dicionário de inglês. Era um saco! Depois de ler alguns capítulos procurei um amigo programador e foi quando ele me deu uma mini-aula, as fichas caíram e varias coisas me fizeram sentido.
Perguntei: É simples assim?
Ele respondeu: Por que você estudou alguma coisa, do contrario não teria entendido nada.
Primeira dica: Persistência! Mesmo que não faça sentido no inicio.

 

2) Estou muito cansado e com dor!

Apertar as cordas do violão é fácil no primeiro dia. Na segunda semana parecem ter cerol (vidro na linha de pipa). Dói até pra digitar no teclado do MAC depois da aula. A posição para segurar o violão e o movimento de batida das cordas cansa muito.
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Seria fácil justificar dizendo: Hoje não vou praticar, pois meus dedos estão doendo muito, estou cansado e com sono.
Mas me lembrei dos primeiros estudos sobre programação novamente. A dor de estudar Java vinha em forma de sono, distração, fome e tudo mais que pudesse me tirar atenção. Até os mórmons batendo no portão eram mais divertidos que estudar programação. Qualquer coisa roubava minha atenção e eu parava de estudar.
Segunda dica: Foco! Não deixe que coisas bobas te distraia.

 

3) Tenho muitos compromissos!

Trabalho, faculdade, noiva, blog e outros mil compromissos … De repente meu dia passou a ter as horas contadas. Mesmo nos fins de semana quando penso em estudar violão aparece outro compromisso mais importante do nada.
Me lembro desse mesmo fenômeno quando queria aprender Java. Tudo tomava prioridade. Foi então que comprei um notebook velho (velho mesmo) e consegui praticar. Quando priorizei os estudos e este passou a ter importância pra mim acabei encontrando uma saída para o problema de falta de tempo.
O notebook era tão velhinho que ninguém queria me roubar, então eu praticava no metro e no ônibus. Foi a forma que encontrei de usar um tempo livre que se perdia para fazer algo útil. Assim, com a pratica fui absorvendo cada vez mais o bendito Java.
Terceira dica: Priorize! Se convença da importância do que está fazendo.

 

4) Melhor não estudar do que estudar pouco!

Violão é algo grande e difícil de transportar na moto, ônibus ou metro. Parece que pra praticar tenho que ter um estúdio em casa, todos reclamam do barulho. Ai comei a perceber que o tempo é curto e são poucos os lugares onde posso praticar.
Percebi esse problema em relação as desktop, pois na época todos queriam entrar no Orkut e etc por que o computador ficava na sala. Foi ai que o note me salvou de novo.
Na época eu gastava 4,5 horas por dia no metro e ônibus entre casa, trabalho e faculdade. São 22,5 horas de pratica por semana contando apenas os dias úteis. Alguns minutos de estudo por dia somados representam dias por ano e faz toda a diferença. Não espere o momento perfeito para praticar, pois são raros. Aproveite aqueles minutos livres e de um paço de cada vez.
Existe um livro chamado “Fora de Série – Outliers” do Malcolm Gladwell que fala justamente sobre a quantidade de horas que alguém precisa praticar para atingir a excelência sobre qualquer coisa. Recomendo a leitura!.
Quarta dica: Pratique! Somente a pratica leva a perfeição.

 

Resumo

Vamos listar as quatro queixas acima:

  • Não entendo nada!
  • Estou muito cansado e com dor!
  • Tenho muitos compromissos!
  • Melhor não estudar do que estudar pouco!

Qualquer coisa que você decidir estudar: violão, inglês, programação e etc inevitavelmente estas quatro queixas irão lhe acompanhar. Por que?
Estudar algo novo é muito legal no inicio, mas quando você sai da zona de conforto sua mente e corpo reage, e começa a criar mecanismos de fuga: sono, dor, cansaço, falta de atenção e etc.
Ate que em um momento ela desiste e passa a aceitar isso e é neste momento que você começa a entender o que está estudando. Tudo que parece difícil é algo que você ainda não entendeu. Como as técnicas de valores limites e equivalência de classes que para um analista pleno já é algo simples, para um estagiário é algo complicado.
Muita gente confunde e complica algo simples: Você não precisa ser um programador!
Teste é nossa função primaria, programar é sua função secundaria. O que você deve aprender sobre programação é o suficiente para testar mais rápido.
Fazer uma agenda em qualquer linguagem não é programar, assim com usar um software não é testar.
Vejo programadores talentosos nas empresas que trabalhei e trabalho e tenho certeza que nunca fazei o mesmo, porque não é esse o objetivo!
Sou QA não sou programador. Mas se aprender um pouquinho com eles faz o meu trabalho melhorar, por que não?
Eu não sei programar! Sei criar scripts que fazem meus trabalho ser mais rápido, e faço isso cada vez melhor devido a pratica, pois ficamos cada vez melhor quando praticamos.

Crie um post-it para cada dica acima e cole no seu monitor.
Leia todo dia!
Sim, é um mantra! E funciona, por que a dificuldade é sua mente quem cria, logo você precisa domina-la e não o contrario.
Você precisa se convencer do que quer e essa é uma boa maneira.
Espero que ajude, e não esqueça de dar um feedback.

O Thiago Pereira dizia todos os dias que não sabia programar e reclamava da minha cobrança. O que ele não percebia na época era que ele mesmo gerava a complexidade quando se sentia incapaz de fazer algo novo. O problema não era a automação e sim qualquer coisa que ele se julgasse incapaz de fazer.
Hoje ele escreve posts excepcionais sobre seu aprendizado com a automação, como este: “A arte de desenvolver testes” com mais de mil visualizações.
Pare de repetir que é incapaz e comece a dizer que é capaz!
Uma mudança simples que tem um efeito enorme.
E se tiver dúvidas compartilhem conosco no Agile Testers para que possamos ajudá-los.
Não existe pergunta idiota, existem respostas idiotas!

 

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4 Comentários

  • 07 jul
    2014
    Thiago Pereira, wrote:

    Parabéns Edu pelo Post. De fato, bloqueios são coisas que nós mesmos criamos e uma forma que vejo ser inteligente é criar pseudo nomes para termos que nós humanos colocamos como impedimentos, no meu caso, chamei automação de “desenvolvimento de testes”, e não é que funcionou e uso isso para poder tocar minha vida no dia a dia aqui na empresa. Como eu falei, palavras geram bloqueios e palavras novas geram curiosidades, que é o cerne para retirar fantasmas e bloqueios.

  • 13 jul
    2014
    rafael, wrote:

    Parabéns Edu!

    Ótimo texto e ótima abstração, que aliás, traz toda uma simplicidade e ajuda uma gama maior de pessoas a entender a mensagem ou situação passada.

    Outro dia mesmo, ao ver sugestões em um grupo do qual faço parte, vi a chance de, disfarçadamente, dizer: “vamos usar técnicas de metodologia ágil pra ter um melhor resultado!?” . E vi pessoas gostarem, mesmo assumindo que não faziam ideia do que se tratava! A entrega? Uma banda ensaiar músicas para se apresentar!

    Mais uma vez, ótimo texto, ótima sugestão para nos motivarmos cada vez mais e bom aprendizado pra você! Quem sabe entre um teste e outro, não fazemos um som!?

    • 15 jul
      2014
      Eduardo Souza, wrote:

      Valeu Rafa…

      É muito bom saber que estamos caminhando na direção correta.

      Abraços.
      Eduardo Souza

  • 07 out
    2014
    Ariadyne, wrote:

    Parabéns pelo post! Me vi perfeitamente em tudo o que li. Vou perseverar! :D

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