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By Jailton Alkimin Louzada
Saudações Leitores! Recentemente em uma das minhas aulas do MBA, estudando Gestão de Conhecimento durante debates em sala, muitos pontos de vista e analogias com o mercado profissional foram levantados no que diz respeito à gestão e organização do conhecimento dentro de ambientes corporativos. Diante disso resolvi criar esse post para expor meu ponto de vista e vivência com relação ao assunto que eu acho muito importante.
Hoje em dia com o crescimento acelerado do mercado consumidor e a exigência cada vez maior do mesmo, as empresas (principalmente grandes empresas) vêem investindo mais em capital intelectual, que a meu ver é a engrenagem principal da grande máquina que move as corporações. Dentro desse cenário, o termo “Learning Organizations” vem se popularizando cada vez mais. Inicialmente introduzido a mais de dez anos (não é tão pouco tempo assim) por Peter Senge em seu best seller a Quinta Disciplina as empresas vêem se atentando cada vez mais para se tornarem “Empresas que Aprendem”.
A Gestão do Conhecimento é a estratégia que transforma o capital intelectual de uma organização, tanto a informação registrada quanto as competências de seus empregados em maior produtividade, novos valores e aumento de competitividade. Ensina as organizações, do líder ao empregado, a produzir e aperfeiçoar habilidades como uma entidade coletiva. As empresas hoje em dia atuam com dois tipos de ativos: Ativos tangíveis e ativos intangíveis, dividindo a parte material que consiste nos ativos tangíveis, que vão desde bens materiais a capitais ativos dentro da empresa e intangíveis que são nada mais que os capitais intelectuais que a empresa possui (expertise, habilidades, capacidade organizacional de armazenar o conhecimento e relacionamento da empresa com clientes (CRM)).
Segundo Chun Wei Choo, a organização do conhecimento é dividida em três arenas onde as informações que são obtidas podem ser utilizadas de forma estratégica. Melhor exemplificada na imagem abaixo:

A primeira arena trata que uma organização deve prever e compreender mudanças externas na organização, pois uma organização que consegue em tempo hábil detectar e tratar mudanças ruins ou mudanças boas no ambiente externo terá maior chance de em reação a mudança, ter uma tomada de decisão e utilizar de seu conhecimento estratégico para lidar com a mudança, a empresa que detecta o quanto antes essa mudança e detém dessa informação tem uma vantagem competitiva em relação às demais. Dentro dessa vantagem competitiva algo muito importante que as empresas vêem investindo é o conhecimento concorrente, em poucas palavras o conhecimento concorrente nada mais é que analisar e avaliar o conhecimento do concorrente, a fim de estar sempre um passo a frente com relação aos demais players (concorrentes) no mercado. Uma empresa que não investe em conhecimento concorrente está fadada a depreciação do seu produto devido à estagnação do mesmo, sem conhecer a estratégia e foco dos seus concorrentes ela não tem condições de se sobressair das demais e/ou entrar no mercado de forma mais consolidada e com segurança.
A segunda arena lida com a obtenção de novos conhecimentos, pois uma organização que não investe em novos capitais intelectuais não consegue se manter no mercado por muito tempo, principalmente na área de Tecnologia da Informação isso é muito bem visível, pois a tecnologia evolui a todo momento juntamente com a exigência do consumidor por produtos que cada vez mais satisfaçam suas necessidades.
Conhecimento de mais sempre é bem vindo, eu sempre digo isso, mas do que adianta ter todo o conhecimento e não saber usá-lo? Vários autores que pregam a gestão do conhecimento deixam claro que a transformação da informação em conhecimento deve ser feita de forma estratégica e analítica, pois se deve focar no conhecimento que se quer obter e trabalhar em cima do mesmo, ou seja, a partir daí consolidar uma idéia e em cima dela realizar tomadas de decisão, nesse caso deve-se sempre se atentar ao foco do conhecimento adquirido, por isso a importância de se filtrar as informações que são interessantes ou não para uma organização e sempre ter um embasamento necessário para a tomada de decisão e execução dessa idéia/conhecimento, eis a terceira arena explicitada por Choo.
As empresas de T.I. se revelam altas investidoras de capital intelectual, eu vejo que, por exemplo, em empresas de T.I. a matéria-prima, para criação do “produto final” é o conhecimento, conhecimento esse oriundo de todos os colaboradores de uma fábrica de software (por exemplo), seguindo esse ponto de vista (pessoal) empresas de T.I. mais do que nunca precisam ter um investimento pesado em capital intelectual, isso inclui não somente no recrutamento de novos talentos (o famoso CHA dos domínios cognitivos, agora chamado por muitos de CHAV), mas também na capacitação, documentação, conhecimento concorrente, organização do conhecimento, disseminação do conhecimento e principalmente tornar o conhecimento tácito de seus colaboradores em conhecimento explicito. Vou explicar melhor essa parte de “tornar conhecimento tácito em explicito”, o conhecimento tácito nada mais é que o conhecimento (feeling) de alguém, porém esse conhecimento é de difícil disseminação, já que o mesmo é pessoal, então quando eu digo torná-lo explicito, digo que as empresas precisam ter uma prática maior de documentar, treinar e propagar os conhecimentos adquiridos (A empresa 3M é um exemplo de case de sucesso) e não deixar que o conhecimento morra com seus colaboradores.
O mercado de T.I. ao meu ver (e no de muitos) é muito prostituído, os fatores são muitos… Em minha humilde opinião, a culpa está dos dois lados: empresa e colaboradores, porém o problema maior está na cultura do nosso país que se não mudar na sua forma de pensar vai permanecer sempre um país subdesenvolvido (emergente?), é fácil de entender o porquê, já que, por exemplo, a maior vantagem competitiva que se tenta levar pro mercado externo, por exemplo, está no valor da mão de obra, as empresas não tentam entrar no mercado para jogar de igual para igual contra outras empresas, as empresas se satisfazem em atuar no mercado externo e sempre comendo uma pequena fatia da receita que gira em torno da T.I. Em conversa com um professor/ doutor que fez parte de seu doutorado nos EUA, ele me disse que ao chegar a uma empresa norte-americana para realização de uma pesquisa, descobriu que a empresa na época possuía mais doutores que em todo o Brasil! Dessa forma vemos que expressamente as empresas tendem a investir muito em pesquisa, para alcançar realmente resultados consideráveis, ou seja, se o Brasil não investir mais em P&D ficará para trás.
Grandes empresas de T.I. já possuem dessa informação, e investem cada vez mais em seus capitais intelectuais, empresas como Google, IBM, Microsoft, Oracle e outras, tendem a investir cada vez mais no conhecimento colaborativo, bem estar e satisfação de seus colaboradores para que a produtividade intelectual dos mesmos alcancem níveis cada vez maiores. Esses tipos de empresas valorizam tanto o capital intelectual que ao entrar em uma empresa desse patamar você deve assinar um termo garantindo que toda idéia concebida dentro dela será de posse da mesma, mas empresas desse porte subsidiam essas ações com muitas regalias a seus colaboradores.
Contudo em uma visão introspectiva otimista acho que o Brasil está caminhando (infelizmente não a passos largos) para o crescimento em P&D, hoje em dia vejo muitos programas de incentivo a pesquisa providos pelo governo, pena que em minha opinião eles não sejam tão bem divulgados principalmente no mercado, como pesquisa voltada para as empresas. Para finalizar, para chegarmos em um mundo ideal da organização e gestão do conhecimento dentro das empresas o motivador da mudança deve começar pela cultura das empresas brasileiras, de achar que produtividade está ligada somente a execução de atividades, já dizia Benjamin Franklin, “Investir em conhecimento rende sempre melhores juros”, ou seja, enquanto não soubermos valorizar a competência de nossos profissionais, reconhecimento interno e motivá-los com desafios nunca teremos chance de evoluir essa cultura em nossas empresas e devemos deixar de pensar que o conhecimento é um recurso no projeto e sim que ele é o recurso do projeto.

Source: http://www.jailtonalkiminlouzada.com/2011/04/gestao-de-conhecimento-em-empresas-de-t-i/

Category: Gestão de Conhecimento

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